• Daniel Oscar

Manaus sufoca!

Atualizado: 16 de abr.

Apesar de estar localizada no interior da Floresta Amazônica, a cidade de Manaus apresenta um dos piores índices de arborização do Brasil.


De acordo com os dados do IBGE (2010), em termos de arborização urbana, Manaus ocupa apenas o 4.493º lugar entre 5.565 municípios analisados, e o penúltimo lugar entre as cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Para se ter uma ideia, a cidade de Goiânia, localizada na região do cerrado brasileiro, é 89,5% arborizada no entorno dos domicílios, enquanto que Manaus, localizada no interior da Floresta Amazônica, é apenas 25,1%.


Foto: Adneison Severiano/G1 AM



Isso acontece porque Goiânia é uma cidade planejada, ao passo que Manaus possui como característica preponderante o planejamento urbano ineficiente e, como consequência, há grande pressão ambiental e uso indevido do solo, com desmatamentos e ocupações irregulares em margens de rios - DA SILVA e MOLINARI, 2017.

O desenvolvimento urbano desordenado ocasiona a supressão dos fragmentos florestais, o que modifica a capacidade de troca de calor e a emissividade de calor superficial dos ambientes, contribuindo para a formação das denominadas ilhas de calor. Em Manaus, estudos evidenciam a formação das ilhas de calor em algumas regiões da cidade. Segundo Viana et al. (2012), os bairros de Manaus com as temperaturas da superfície mais elevadas são: Cidade Nova, São José Operário, Zumbi dos Palmares, Japiim, Petrópolis, São Francisco, Nossa Senhora das Graças, Cachoeirinha e Centro. A formação das ilhas de calor urbanas ocasiona alterações no microclima e também prejudica a saúde da população, com o aumento do desconforto térmico dos indivíduos e de estresses, bem como com o surgimento de problemas respiratórios. Ainda, as ilhas de calor provocam o aumento da demanda energética das cidades atingidas. Este dado é especialmente importante, pois, de acordo com Medeiros et al. (2017), aproximadamente 65% da energia elétrica de Manaus é gerada a partir da queima de combustíveis fósseis, que são responsáveis pela emissão de gases poluentes e material particulado na atmosfera, aumentando a poluição ambiental e prejudicando a saúde da população. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde – OMS (2016), cerca de 50 mil pessoas morrem por ano no Brasil em decorrência da poluição atmosférica, que pode causar câncer de pulmão, doenças cardíacas e acidente vascular cerebral – AVC.

Em relação aos aspectos econômicos, Akbari e Konopacki (2005) estimam que a redução das ilhas de calor pode gerar uma redução de 20% no uso de condicionadores de ar, e uma economia total na ordem de $10 bilhões de dólares por ano nos Estados Unidos, além de melhorias na qualidade do ar. Assim, a arborização urbana surge como uma ferramenta indispensável no combate às ilhas de calor, contribuindo para a redução da demanda energética e melhorando a qualidade de vida da população.


Precisamos de mais árvores! Vamos mudar Manaus? Seja um voluntário, clique aqui. Autor: Daniel Oscar Soares. Engenheiro Agrônomo. Advogado. Mestre e Doutor em Agronomia Tropical. ____________________

Fontes utilizadas: AKBARI, H.; KONOPACKI, S. Calculating energy-saving potentials of heat-island reduction strategies. Energy policy, 33(6), p. 721-756. 2005. DA SILVA, B. C; MOLINARI, D. C. Aspectos fitossociológicos dos fragmentos florestais da cidade de Manaus (AM). Caderno de Geografia, 27(51), p. 806-822, 2017. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). 2010. Características urbanísticas do entorno dos domicílios. Disponível em: <http//:www.ibge.gov.br/geociências> Acesso em: 01 jan. 2021. MEDEIROS, A. S. S., CALDERARO, G., GUIMARÃES, P. C., MAGALHAES, M. R., MORAIS, M. V. B., RAFEE, S. A. A., RIBEIRO, I. O., ANDREOLI, R. V., MARTINS, J. A., MARTINS, L. D., MARTIN, S. T.; SOUZA, R. A. F.: Power plant fuel switching and air quality in a tropical, forested environment, Atmos. Chem. Phys., 17, p. 8987-8998, 2017. VIANA, L. P.; CORREIA, F. W. S.; DE SOUZA, R. A. F.; DE SOUZA, M. E. R. F. Ilhas de calor na cidade de Manaus: um estudo observacional e de modelagem numérica. Revista Geonorte, 3(9), p.1387-1396, 2012.

18 visualizações